A invasão chinesa no mundo e as recentes disputas entre Estados Unidos e China são temas super atuais. Os chineses estão em todos os negócios, e na vitivinicultura não poderia ser diferente.
Começamos afirmando que os chineses são os maiores consumidores de vinho do mundo e investem para produzir rótulos de qualidade, comprando terras na França e importando mão de obra o que está causando uma nova revolução no mundo do vinho.
E a última revolução foi há 43 anos com o famoso “Julgamento de Paris” quando em uma degustação às cegas, um seleto grupo de críticos franceses comparou rótulos nacionais a exemplares produzidos na Califórnia, e os estrangeiros tiveram notas melhores. Os franceses receberam o resultado como humilhação. Já os americanos saíram no lucro. A prova colocou na rota de prestigio as vinícolas do Napa Valley, abrindo o mercado do velho mundo para os vinhos do novo mundo (Argentina, Chile, Estados Unidos, entre outros países produtores).

Até pouco tempo, a China só chamava atenção pelo seu potencial de consumo. Entre 2000 e 2011, as importações de vinho cresceram inacreditáveis 26.000%, tornando o país o quinto maior mercado consumidor no mundo. A dose de satisfação dos exportadores começou a virar um sabor amargo quando os chineses resolveram que não queriam apenas beber, mas também competir na produção de vinhos finos. Eles colocaram no mercado 9,3 milhões de hectolitros da bebida em 2018 (o décimo maior volume do planeta). Embora a qualidade media ainda seja baixa, algumas garrafas já recebem elogios de críticos e menções em revistas especializadas.
O exemplo do que ocorreu em outras áreas, os chineses aprendem copiando o que de melhor no mundo. No caso do vinho, o modelo emulado é a França. Recentemente um vinho produzido com a uva cabernet franc, tirou 96 pontos de 100 possíveis no último World Wine Awards, da Decanter, uma das publicações mais respeitadas do segmento. Outro prêmio tradicional, o Concours Mondial de Bruxelles, concedeu na edição de 2019 cinco medalhas Grande Ouro, sua maior honraria, a vinhos da China, três deles de carbenet sauvignon de Ningxia.
Como tudo no país, a expansão das vinícolas locais tem um importante incentivo governamental, como o estimulo a desapropriação de centenas de pequenas propriedades rurais no norte e no noroeste do país para a produção de vinho. A região de Ningxia, por exemplo, situada próximo à fronteira com a Mongólia, possui um terroir similar ao do solo de Bordeaux, na França de onde saem algumas das mais prestigiadas garrafas do mundo: terreno rico em calcário, argila, pedra e potássio e quatro estações bem definidas. A mão de obra os chineses começaram a importar. Não perca a Parte Final!
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