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Transformação digital ou o mundo medieval?

Recentemente foi publicado o Anuário de Competitividade Digital do Institute for Management Development (IMD) que mostrou uma queda de cinco posições do Brasil frente a outros países.

Mais do que isso este estudo apresenta um indicador chamado de “Agilidade Empresarial” ao qual aparecemos na posição 61 de 64.

Isto nos traz a constatação de que as empresas brasileiras estão hoje falando bastante de inovação e digitalização, porém ainda não estão entregando esta transformação de forma consistente em seus produtos, rotinas e processos.

Muitas razões podem ser atribuídas a esta realidade. Gostaria de pontuar algumas aqui:

1 – Ainda existe uma mentalidade em terras tupiniquins de que digitalizar processos é “pavimentar o caminho do burro”. Em outras palavras, simplesmente aplicar ao que já está sendo feito uma camada digital, não aproveitando o momento de transformação para de fato transformar seus processos e repensar a melhor forma de entregar o seu produto ou seu serviço a seus clientes. Já passou da hora de aposentarmos as nossas jabuticabas.

2 – As lideranças locais ainda não foram propriamente preparadas para lidar com esta nova realidade. Novos tempos demandam cabeças que pensem o negócio de forma diferente e inovadora. O famoso BAU (Business as Usual) parece estar falando mais alto. E o Status Quo também.

3 – Temos que mencionar um fator importante que é o peso do setor público nesta equação. Em que pese iniciativas pontuais como as do Banco Central envolvendo o desenvolvimento do PIX e em breve do DREX (o R$ digital), o ambiente de negócios por aqui está longe de ser o ideal. Gostaria de apontar, como exemplo, 2 verdadeiros fósseis vivos brasileiros; o sistema tributário e o nosso ambiente cartorial. Este último, em tempos de blockchain, beira o absurdo. Burocrático, demorado e caro demais. Poderia escrever 10 páginas sobre este tema. Vou me limitar apenas a estes 2 exemplos. Quem sabe em um próximo artigo.

4 – E por fim a (não) preparação de nossa força de trabalho para esta transformação. Nossa educação é claramente arcaica e infelizmente cada dia mais voltada a atender as ideologias de plantão. Enquanto isso, o mundo desenvolve seus talentos pela tecnologia, criatividade, desenvolvimento dos talentos individuais de cada cidadão, pela conexão com o cenário de negócios e o interesse pelo desenvolvimento de seus países.

Tudo isso está fazendo com que a distância entre o Brasil e as demais nações só aumente. O resultado do anuário, infelizmente, não surpreende.

Nem vou comentar aqui a persistente desigualdade que afeta não somente a renda da maioria dos brasileiros, mas principalmente neste caso o acesso à educação de qualidade e as verdadeiras oportunidades de transformarem nosso país pelo trabalho.

Vale lembrar que existem pelo mundo grandes bolsões de prosperidade (e dinheiro) envolvendo a tecnologia e que estamos fora desta lista. Apenas para embasar esta informação, não podemos esquecer que a maioria das Bigtechs tem um valor individual de mercado maior do que todo o PIB brasileiro.

A realidade é que esta imensa “boca de jacaré” só está aumentando e em tempos atuais, a velocidade em que estamos nos distanciamos do resto da turma também é digital e com baixíssima latência.

Já que não podemos contar muito com as iniciativas e apoio do poder público, que em geral é demasiadamente lento e está mais voltado com sua própria agenda e interesses , fica a cargo das empresas liderarem esta batalha, levando verdadeira inovação a seus produtos e serviços, buscando capacitar seus funcionários e porque não, trazerem de volta muitos brasileiros que hoje dedicam seus conhecimentos e múltiplos talentos a outras nações.

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