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Seria coragem ou planejamento?

               Não seria novidade eu trazer aqui para vocês, os números das últimas pesquisas a respeito das pessoas no trabalho, deste ano de 2022, que tanto nos assustaram. Primeiro foi o número alto de pessoas infelizes em suas atividades, batendo quase 70% e agora o número de 2,9 milhões de trabalhadores que pediram para sair de seus empregos nos últimos seis meses. O mercado segue aquecido, com empresas em buscas de grandes talentos, de pessoas com vontade para trabalhar e de agregar conhecimento em algumas áreas, e Suprimentos não fica de fora, com cargos de especialistas a gerentes sênior - o que vai na contramão do abismo criado pelas taxas de desemprego nas mais diversas vagas de entrada onde a oferta é menor do que a procura, que ainda é alta. Dois cenários vivendo lado a lado.

Em nossa coluna essa semana, vamos falar um pouco sobre as demissões voluntárias, essas dos últimos meses que chegaram a 30% do número total de trabalhadores com carteiras assinadas. O que tem acontecido para que tantas pessoas deixem seus cargos em busca de seus sonhos? Por que agora é possível enxergar de outra maneira o trabalho e colocar a família na frente? Essas pessoas passaram a ter mais tempo em casa, com as novas mobilidades de trabalho, entre o remoto e o híbrido, e deixar um filho em uma escola por período integral passou a não mais ser a única opção, bem como também ficar quase quatro horas por dia no trânsito deixou de ser a única via para acessar uma empresa.

O que essas pessoas têm em comum? Eu fico pensando, questionando e bastante curiosa, fui conversar com vários colegas dos mais diversos setores. Em minhas ultimas andanças por seminários em São Paulo e Minas Gerais, o desejo de alinhar valores com prioridades após o período mais acentuado da pandemia foi um dos objetivos que eu mais vi. As pessoas começaram a entender a realidade da brevidade desta vida e ir além, entenderam que o tempo, o nosso amigo tempo, um recurso tão escasso na empresa, não é diferente em casa. Ir ao trabalho, dormir, acordar, voltar ao trabalho, dormir de novo, deixou de ser um ciclo – dito como normal.  Aliais nunca deveria ser chamado de normal, não é mesmo?

Conversei com pais – e aqui – a vez dos homens – com um desejo enorme de ver o filho crescer mais de perto. Não mais um desejo somente da mãe. Um rapaz me contou que em oito meses de nascido do primeiro filho, entre auditorias externas e viagens interestaduais ele conseguiu ficar apenas dois meses consecutivos em casa  - e hoje –  dez meses depois, ele abriu uma empresa de auditoria e controladoria para processos de suprimentos em serviços de maneira totalmente remota, possibilitando um equilíbrio maior com a esposa e a rotina mais presente com o filho e agora já pensam inclusive no segundo filho.

Se é coragem que essas pessoas têm, para dar a iniciativa e o ponta pé inicial, para começar a mudança por elas mesmas, elas estão agindo com o coração – no sentindo mais amplo da palavra coragem. Vou repetir, porque de fato é muito lindo: agir com o coração.

Cada vez mais tenho dedicado meus estudos no desenvolvimento de carreira para a inteligência do coração, onde as decisões que tomamos nem sempre somente a razão explica, embora ela ainda esteja presente – com o conceito de que agir com o coração não é agir tomado pela emoção – muito antes disso, há planejamento, há estudo, há preparação, para que além do cotidiano por mais simples que seja, você tenha prazer em suas atividades!

Escutar o coração, te permite em futuro próximo, ter a coragem para a tomada de decisão de seguir o que de fato faz a chama arder seu peito, aquele sonho de infância e sem chover no molhado, é isso que além de pagar as suas contas no final do mês, vai te trazer a realização, exatamente por fazer o que se ama.

Que alegria seria hein? Ganhar dinheiro com aquilo que de fato amamos! Ah, e sim, temos afortunados nesse mundo afora, que vivem e ganham muito bem, fazendo o que tem paixão e que delícia conversar e aprender com essas pessoas. Um convite que lhe faço para essa semana que vai te agregar muito e ajudará no entendimento destas tomadas de decisões pelo coração é o de marcar um café virtual com alguém que você conheça que tenha o perfil acima. Eu tenho certeza de que tem alguém aí na sua empresa, que você sabe que além de trabalhar com brilho nos olhos, o coração bate forte ao final do dia.  Agende um bate papo, escute um pouco, entenda como essa pessoa chegou até lá.

Certamente o que seu colega vai te contar neste café é muito parecido com o que possivelmente levou essas quase três milhões de pessoas a seguir seu sonho, a necessidade de caminhar de acordo com os valores para a jornada que foi escolhida por elas mesmas. Quando em um determinado momento, em sua carreira, os caminhos seguem na contramão dos seus valores, dificilmente você consegue se manter naquele lugar e isso te conduzirá certamente para um novo local, uma nova empresa, um novo ecossistema.

Se os seus valores estão alinhados com o seu desejo: verá, ainda que no primeiro momento, mesmo que te custe um pouco,  terá a clareza de que a escolha foi a mais acertada, porque foi feita com o coração, escutando seu sentimento, de dentro para fora – a isso chamamos de vocação.

Todos podemos chegar nesse ponto? Em absoluto, eu lhes afirmo que sim, deixando bem claro de que depende exclusivamente da nossa autorresponsabilidade, chegar lá, ainda que o “lá” tenha definições distintas -  não dependerá de ninguém mais, a não ser você mesmo. O mundo hoje está genuinamente mais humano, as pessoas se preocupam mais com as outras pessoas, isso te faz inevitavelmente olhar mais para você de modo a colaborar com o próximo – e embora exista essa ajuda mútua, os papeis são mais claros, e para tal você precisa fazer um plano para sua carreira, mesmo sabendo e tendo a consciência de que ele vai mudar ao longo da trajetória – e não há problema algum se ele mudar. Nós mudamos, logo nossos planos mudarão também.

Pessoas que conseguem trabalhar com sua vocação, com seu amor, com o que fazem de fato felizes, são pessoas que cuidaram da sua carreira. Recorda-se que falamos que carreira é uma jornada? Um caminho! Uma longa estrada!

Sem planejamento, não há colheita de resultado e é a responsabilidade por ter um resultado que fará com que você seja responsável por aquilo. Constância e persistência, para que também a carreira seja prazerosa. E com muito carinho, lhe digo para não entrar em desespero caso não encontre num primeiro momento o resultado desta equação – uma hora encontraremos a reposta, de maneira até natural, eu diria.

Estamos vivendo um momento em que ninguém mais vai pegar na mão de um funcionário para controlar produtividade apenas pelo controle, e tão pouco para mostrar os próximos passos de sua carreira. Esqueça de uma vez por todas isso. Não é responsabilidade de outro alguém te dizer o que fazer para alcançar seus objetivos – o que é diferente de pedir orientação, ajuda, mas a parte outros pontos, isso é uma responsabilidade individual.

Se é assim, crie suas próprias oportunidades, faça o seu melhor, tenha um conjunto de atitudes que te torne referência no mercado, que atraia pessoas, headhunters, empresários em busca de sócios, parcerias que necessitam do seu conhecimento, construa o seu portifólio ampliando os seus limites além da carreira, faça e aconteça hoje, e assim com uma base sólida para criar o seu próprio futuro.

Ao chegar lá, a decisão sempre será sua – inclusive se for de uma demissão voluntária – para novos voos em busca do melhor para você e o seus! Com coragem, agindo com o coração e uma boa dose de planejamento!

Eu estarei aqui torcendo por você!

Com carinho,

Aline

1 comentários
Walter Freitas
Walter Freitas Comentou em 29 de agosto de 2022
Muito atual esta situação. Estamos, de fato, vivenciando uma mudança no formato de interação e gestão dos colaboradores na empresa e essa evolução, acredito que nos ajudará a tornar as relações mais construtivas e duradouras.

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