Em recente pesquisa elaborada pela KPMG, 80% dos fraudadores são homens, com idades entre 26 e 45 anos (73%), com experiência de um a quatro anos dentro das companhias (45%) e que atuavam em cargos de liderança, como gerência, coordenação e supervisão de especialistas.
Os principais motivos para o cometimento das fraudes envolveram atingir metas corporativas (38%), omitir erros (31%) e promover ganho pessoal (27%). Por outro lado, os maiores golpes estavam relacionados a conflito de interesses (68%), apropriação e desvio de ativos (52%), adulteração de documentos (49%) e vazamento de dados (24%).
O levantamento foi feito com 120 profissionais de todo o Brasil que atuam em compliance, investigação corporativa, auditoria interna e outras áreas no período de janeiro de 2020 a junho de 2021.
Entretanto, este tipo de levantamento de dados pode levar a um viés condicionado, colocando em risco profissionais éticos que, eventualmente, se enquadram neste tipo de qualificação.
Obviamente que o estudo é sério e se pautou em fatos verídicos. Por outro lado, este tipo de pesquisa remete à tese de Cesare Lombroso e a "Teoria do Criminoso Nato".
Cesare Lombroso, médico psiquiatra, foi um dos responsáveis por inaugurar a etapa científica da criminologia no final do século XX. Em seus estudos, preocupou-se em conferir características morfológicas padronizadas ao homem delinquente, influenciando uma série de estudiosos a realizarem pesquisas mais profundas acerca do coeficiente humano existente na ação delituosa.
Seus estudos envolveram a análise de mais de 25 mil reclusos de prisões europeias, bem como seis mil delinquentes vivos e resultados de pelo menos quatrocentas autópsias, cujo objetivo seria constatar que, entre esses homens e cadáveres, existiam características comuns, físicas e psicológicas, que o fizeram crer que eram padrões de criminalidade.
Ou seja, Cesare Lombroso, através de suas pesquisas, teria identificado os padrões físicos de um delinquente e, com isso, poderiam ser evitados crimes, uma vez que, quem apresentasse estes padrões, seriam monitorados de forma apropriada.
Essa tese também remete a um filme chamado "Minority Report", que se passa no ano de 2054, onde há um sistema que permite que crimes sejam previstos com precisão, o que faz com que a taxa de assassinatos caia para zero. O problema começa a acontecer quando o detetive John Anderton, protagonizado por Tom Cruise, um dos principais agentes no combate ao crime, descobre que foi previsto um assassinato que ele mesmo irá cometer, colocando em dúvida sua reputação ou a confiabilidade do sistema.
Ou seja, tanto na ficção, quanto na nossa realidade, é necessário se atentar a estudos que tendem a rotular comportamentos e condutas. Devemos lembrar sempre que rótulos geram preconceitos e nada pior que sofrer uma ameaça, suspeita, ou até mesmo uma ofensa, baseada em "critérios técnicos".
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