Ele chegou, de novo! Aliás, chegou já há algum tempo, provavelmente em agosto-setembro, e ainda está em gestação.
Este ano em uma gestação um pouco mais complicada com tantas variáveis na mesa: guerra, inflação mundial, pós-eleição no Brasil, política de COVID Zero na China e perspectiva de recessão mundial, entre outras.
Fato é que fazer o planejamento de compras nunca é uma tarefa fácil, seja em um cenário mais estável ou em um cenário onde as perspectivas para 2023 não estão muito claras.
Ainda que seja um processo dinâmico e sujeito a revisões durante sua elaboração, encontrar os parâmetros corretos de entrada para ter como saída um planejamento o mais realista possível, é um grande desafio.
O primeiro desafio é quando ainda faltando 3/4 meses para terminar o ano, temos que gerar os números para o ano seguinte. O caminho mais fácil é assumir uma linearidade dos números no ano corrente para projetar os gastos no fim do ano, e esperar pela projeção que vem das áreas internas como dados financeiros (inflação, câmbio, etc), dados de vendas (variação da demanda) e investimentos esperados, para projetar o ano seguinte.
O segundo é quando projetar o ano corrente usando-se a linearização não se aplica porque a sazonalidade de vendas é grande. Aqui pode-se recorrer a dados históricos para prever os gastos com base na sazonalidade, mas em um ano como este de 2022, dados históricos podem não ser aderentes. E para 2023??
O terceiro é quando há a cobrança de entrega da primeira versão do planejamento, e suas revisões, mas as áreas internas não fornecem os dados necessários para construí-la, ou os dados que são fornecidos mudam a todo momento.
Acrescente a estes desafios aquela pulga atrás da orelha que surge quando recebemos números das áreas internas, mais conversadores ou mais otimistas, e temos informações de mercado que o cenário será diferente.
Então o que fazer com tantos desafios? Infelizmente eu nunca vi uma bola de cristal funcionar, então, nos resta manter os pés no chão e trabalhar com o melhor que podemos fazer:
- revise e argumente os dados que você receber das áreas internas, escute o mercado, converse com fornecedores, áreas de compras de outras empresas, enfim procure construir sua própria visão (ou visões)
- trabalhe com 3 cenários: pessimista, realista e otimista, e antes que alguém ache estranho esta proposta, eu defino esses cenários:
- pessimista é o cenário no qual você usa os piores dados externos que você obteve
- realista é o cenário no qual você usa os dados fornecidos pelas áreas internas da empresa
- otimista é o cenário no qual você usa os melhores dados externos que você obteve
- analise o desvio entre os três cenários. Pode ser que você se surpreenda e descubra que, apesar dos dados de entrada serem diferentes e com variações, o resultado final não apresenta tanto desvio. Bingo!
- se, porém, os cenários são muito divergentes, use-os para revisões internas e muita discussão até convergir ao melhor deles.
Uma vez a primeira versão construída, ajustes normais serão necessários nas próximas versões até que em algum momento congela-se o plano!!!! E é em torno deste plano que surgem os indicadores para os bônus - portanto capriche na sua bola de cristal!
Começa-se o ano novo, as variáveis externas e internas mudam, novos ajustes vão sendo necessários ao longo do ano até que enfim chegamos à necessidade de fazer um novo planejamento para o ano seguinte.
E o ciclo recomeça….
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