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Mulheres em compras

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Silvia Simon, gerente sênior de compras na Mercedes-Benz, fala sobre sua visão e perspectivas quanto aos cenários das mulheres em compras no mercado atual.

Quando iniciei minha carreira em Compras, há 21 anos, havia na organização muitos “senhores” prestes a se aposentarem e baixíssima diversidade. Mas isso era na matriz. A empresa, no Brasil, que estava iniciando suas operações, já dava um passo adiante: a mescla de novos colaboradores. Grupos diversificados e uma presença feminina mais efetiva na área de compras já se refletia em uma realidade, que se tornaria ainda mais evidente em pouco tempo.

Quando saí da universidade, não tinha a menor ideia do que eram as diferenças de tratamento que homens e mulheres poderiam ter ao longo de suas carreiras. Desde a dificuldade das mulheres a ascenderem a cargos de liderança, até os desafios relacionados à igualdade salarial.  Imaginava que, com esforço e muito compromisso, todos tinham como “chegar lá” em iguais níveis de oportunidade!

Acredito que essa crença no sucesso foi o que me levou a evoluir passo a passo. Certamente essa jornada não foi sem percalços e decepções! Mas, o mais interessante é que agora, após tantos anos de experiência, entendo os desafios que as mulheres em compras enfrentam em suas carreiras.

No entanto, quando olho sob a ótica de desempenho, especialmente em Compras, onde metas fazem parte do dia a dia, é inegável que temos muitas figuras femininas que se destacam.

A dedicação, a busca talvez pela perfeição no que faz, a firmeza nos objetivos a atingir, entre outras características, fazem com que as mulheres em compras tenham uma adequação efetiva à área e a seus desafios. Além disso, a flexibilidade com que podem manejar os diferentes aspectos de suas vidas também se reflete na facilidade em equilibrar diferentes atividades.

Então, o que impede de vermos mais mulheres em posições executivas na área, de representarem ao menos a metade dos cargos de CPO?

Ainda há barreiras invisíveis que distorcem a realidade entre desempenho e evolução de carreira. Do ponto de vista pessoal, as dúvidas sobre a capacidade de desempenhar bem os diferentes papéis e a “síndrome de impostora”, tão discutida atualmente, são de fato obstáculos à evolução.

Sem políticas claras das organizações para abrirem oportunidades aos grupos minoritários em cargos executivos – e isso ainda é um fato para mulheres - não será possível ver essa evolução ocorrer.

Portanto, tendo em vista os desafios e expectativas de perfil para o trabalho em Compras, não há dúvidas que as mulheres se adaptam muito bem à área e o número de compradoras hoje está equilibrado.

Por fim, é necessário que isso também ocorra nos cargos executivos. Afinal, o importante é não desistir da ambição de crescer e acreditar mais na capacidade de se chegar lá, além de apoiar-se em outras mulheres que podem e muito contribuir para isso.

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