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Monitoramento e rastreabilidade em ESG viabilizam exportação de produtos premium

Atuei como presidente da Câmara de Comércio Brasil-Canadá (www.ccbc.org.br) de 2017 a 2021 e pude testemunhar uma série de empreendedores brasileiros que conseguiram exportar seus produtos e soluções para o Canadá com sucesso, desde que fizessem um bom estudo estrutural e a adoção de adequações e inovações, visando o mercado internacional. Se aventurar no mercado internacional sem preparo é a certeza do insucesso.

É bom lembrar que o Canadá é a porta de entrada para quase todos os países capitalistas, já que possui acordos bilaterais de livre comércio com a América do Norte (Estados Unidos e México), o Pacífico (Países Orientais) e a Europa e em vias de celebrar um acordo bilateral com o Mercosul, que está sendo liderado pelo Brasil.

Se tomarmos como exemplo o café, o Canadense tem um grande interesse por um produto "premium" e diferenciado, que esteja envolvido com regras e procedimentos de sustentabilidade, ou seja, com muita qualidade e valor agregado, mesmo que seja em pequenas quantidades e de valor mais alto.

Aqueles cafés que têm um "storytelling" comprovado, ou seja, que demonstre uma história de produção que envolva boas práticas, com rastreabilidade e monitoramento desde o plantio, colheita e torrefação, sempre é bem recebido e valorizado. Selos de qualidade estão sendo criados para assegurar que estas boas práticas sejam padronizadas, viabilizando a exportação a países que exigem procedimentos de qualificação e métricas de ESG (Environment, Social and Governance - Governança Ambiental, Social e Comporativa).

Em excelente artigo publicado no portal Fast Company Brasil, de autoria do autor Fábio Cardo (economista de formação e atua em comunicação empresarial e empreendedorismo, sendo co-publisher do canal FoodTech da Fast Company Brasil - https://fastcompanybrasil.com/tech/foodtech/industria-nacional-de-cafe-investe-para-atender-novas-demandas-do-consumidor), existem muitos pontos sensíveis na cultura do café quanto à sustentabilidade. De início, é uma das culturas agrícolas que mais consomem água, fator crítico nas questões ambientais. Quando se fala em cafés especiais, com diversas particularidades em termos de terreno, cultivo e perfil de produtores de pequeno porte que atuam com o produto, cresce a relevância dos trabalhos das indústrias no sentido de criar boas condições de produção. A Nestlé mantém o programa Cultivado com Respeito desde 2011, atuando com agricultura regenerativa. Hoje, as linhas Nescafé e Nespresso atuam juntas em iniciativas que visam melhorar a produtividade, reduzindo os impactos ambientais. O trabalho é realizado em 1,1 mil fazendas, diagnosticando os processos produtivos. A empresa mantém, em 35 fazendas, um projeto piloto para que as práticas resultem em impactos positivos, isto é, a cultura deve devolver ao meio ambiente mais do que retira. Entre as iniciativas, a empresa destaca seis prioritárias: cobertura de solo, garantindo o ecossistema proteção aos insetos e micronutrientes; reflorestamento nos cafezais, com recuperação de áreas degradadas; promoção à biodiversidade com insetos polinizadores (ter abelhas por perto pode dobrar a produção); desenvolvimento de variedades mais resistentes com o suporte tecnológico; uso racional de água, com reutilização e armazenamento de água de chuva; e ações de equilíbrio de remuneração dos produtores e times de trato e colheita.

Esta valorização, que é muito apreciada pelo Canadense nos pequenos detalhes, tais como prover uma produção orgânica, um "terroir" diferenciado, colhido por uma mão de obra competente, inclusiva, diversificada e valorizada pela empresa, com compensação de carbono e responsabilidade social com a comunidade. Uma boa história para contar, com comprovações técnicas e certificações, é a fórmula para o sucesso, pois eleva o padrão e a reputação do produto.

Um bom exemplo é que muitos estão utilizando tecnologias em Blockchain para fazer este monitoramento e rastreabilidade, apesar do impacto ambiental dos processadores desta tecnologia no meio ambiente, em razão do alto consumo de energia. Por isso, é necessário, ao utilizar qualquer tipo de recurso, pensar em como é possível neutralizar as emissões de carbono, mesmo quando é utilizada uma tecnologia aberta e inclusiva.

A sustentabilidade tem um custo. Mas, uma vez percebida e valorizada pelo cliente, está garantida a fidelidade. O mundo agradece!

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