A vida é um sopro. Eu sei disso. Você sabe disso. Todos nós sabemos disso. Mas, ainda agimos como se vida fosse eterna, como se nós fossemos eternos.
Deixamos de fazer coisas, postergamos planos, adiamos sonhos, suspendemos encontros. Reservamos sofrimentos, colecionamos dores, remoemos aquilo que não funcionou. Culpamos alguém. Revisitamos situações, ordenamos propósitos, reagendamos o cronograma. Brigamos, discutimos, não perdoamos. Sempre convictos de que o amanhã é algo certo, confirmado, definitivo, onde podemos consertar tudo aquilo que não ficou do jeito que Eu queria.
Até que no meio de toda essa certeza, a vida nos dá aquele susto, aquela pancada na cabeça, aquele tapa na cara, um simples empurrão que nos põe de cara com o chão... então, nos damos conta que tudo é passageiro, que nada é para sempre e que tudo tem prazo de validade, apenas não há um carimbo que indique quando é o vencimento. A vida escancara que diante do inevitável, não há mais tempo para consertar tudo.
Muitas vezes, não somos nós que levamos a surra, mas, normalmente, só de ouvir falar, de saber que alguém levou essa surra, a vida nos dá um estalo, nos faz rever conceitos, preconceitos, crenças. As vezes faz repensar os planos e os sonhos. Faz a gente redesenhar os encontros.
Não é fácil viver como se não houvesse amanhã, não fomos treinados para viver assim. Fomos criados para planos extensos, financiamentos a longo prazo, projetos distantes, expectativas de uma vida sem fim.
Sem muito tempo para o agora, sempre postergando, mas, é certo que é no hoje que as coisas acontecem, e no hoje que a gente respira, enxerga, sente, se apaixona, vive, ama...
A vida é curta, mas é longa o suficiente para gente se refazer, melhorar, se reconstruir. Cada pessoa está hoje no exato ponto em que se colocou, e cabe somente a ela, evoluir. E não conheço forma melhor de evoluir que não pelo amor. Então, de novo aqui, uma palhinha da essência de um amor verdadeiro:
Trata-se de desejar o bem ao outro, mesmo que este bem não seja bom para você.
De desejar a felicidade, mesmo que isso não te cause tanta alegria.
Significa dar a liberdade, quando o que queria mesmo era prender do nosso lado.
Trata-se de deixar ir sozinho, mesmo que a gente goste de estar colado.
De apenas ouvir, mesmo quando temos certeza da resposta certa.
Ninguém disse que amar seria fácil, muito pelo contrário, amor é um exercício diário, pesado, sacrificante... mas, recompensador. Amar é exercitar o desapego continuamente, porque não viemos aqui para possuir nada, e tão pouco, sermos possuídos por algo.
Quando a intenção é certa, boa e amorosa, tudo vai dar certo. Nada nos fará mal, se o que nós estamos doando, distribuindo ou compartilhando for amor.
Quando acontece de não dar certo, acredite, não era necessário para sua evolução. Lembre-se, somos feitos também daquilo que superamos, e para amar quem somos, não podemos odiar as experiências que nos moldaram.
De qualquer forma, atenção: Não se prenda ao resultado, se prenda ao caminho. Se tudo já estivesse sacramentado e escrito na pedra, não existiria o livre arbítrio. Isso não significa que não assinamos um contrato quando concordamos em nascer neste mundo, significa que ao redigir o contrato, trocamos o “deve ser” pelo “pode ser”, em todas as cláusulas.
Cabe a nós, usar cada oportunidade que a vida nos dá, de forma a armazenar esse conhecimento, essa fé e esse amor do qual todos nós somos fruto. Cabe a nós, fazer desse sopro, uma ventania que tenha o poder e a habilidade de transformar esse mundo, num mundo melhor.
Hoje é o momento
Se ontem nos equivocamos, hoje é o momento de corrigir e de acertar.
Se ontem fomos ofendidos, hoje é o ensejo de perdoar.
Se ontem nos iludimos, hoje é o momento de reconhecer a verdade.
Se ontem fracassamos, hoje é o momento de preparar novo tentame rumo a vitória.
Se ontem fomos mesquinhos, hoje é a oportunidade de experimentar a generosidade.
Se ontem nosso coração estava fechado pelo rancor, hoje é hora de abri-lo para o amor."
Dr. Bezerra de Menezes
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