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Governança Social e o Assédio Moral nas Relações Trabalhistas

A definição mais comum de Assédio Moral é a exposição de profissionais a situações humilhantes e constrangedoras no ambiente de trabalho, de forma repetitiva e prolongada, no exercício de suas atividades. É uma conduta que traz danos à dignidade e à integridade do indivíduo, colocando a saúde em risco e prejudicando o ambiente de trabalho.

Como exemplo, a justiça condenou uma empresa de telefonia e duas terceirizadas, que terão de pagar R$ 150 mil a 22 vendedores que foram obrigados a imitar a atriz Gretchen, dançando "Conga la conga", além de "Boquinha da garrafa", do É o Tchan, por não baterem metas. A decisão é do TRT da 8ª região, ao manter decisão de 1º grau.

Esse era o tipo de material "motivacional" empregado pelas empresas, para que os colaboradores se sentissem estimulados a melhorar a performance comercial:

"Prezados colaboradores!!! Quem não realizar imput de venda hoje terá que pagar prenda na sala de reunião! Prenda do dia: imitar a Gretchen!! Obs: O líder do vendedor terá que acompanhá-lo!! Sucesso a todos!! A direção."

O respeito aos colaboradores deve ser uma das principais premissas no desenvolvimento das habilidades profissionais e emocionais dos líderes empresariais. O que não se mistura com o conceito de cobrança e atingimento de metas. A performance sempre deve ser atendida e a excelência profissional exercida pelos colaboradores. Viver sob pressão é algo que faz parte do dia-a-dia de qualquer empregado ou prestador de serviço. Afinal, há serviços a serem desempenhados e prazos a serem atingidos.

O que não é possível aceitar são situações vexatórias ou abusivas, que atravessam a fronteira do bom senso e lesam a intimidade do colaborador, expondo-o a situações contrangedoras ou, no mínimo, deselegantes.

A cobrança de metas, que é normal em um ambiente corporativo e competitivo, mesmo que seja firme e muitas vezes dura, deve ser efetuada de forma profissional, com critérios e sensatez. Críticas são sempre construtivas, se forem embasadas em fatos, estatísticas e objetividade. O que não pode acontecer é aplicação de critérios subjetivos e perseguições, que podem até causar situações limítrofes, como síndrome do pânico, burn-out e depressão.

Na minha vida profissional, já vivencei reuniões com equipes de venda e corporativa que, do ponto de vista ético e moral, seriam inadimissíveis juridicamente, tamanhas foram as ofensas proferidas pelo principal sócio da empresa contra seus subordinados. Essas reuniões aconteciam sempre às segundas. Tomei conhecimento depois que muitos daqueles que participavam da reunião tomavam anti depressivos para aguentar os desaforos, bem como sofriam já no domingo angústia e ansiedade pelo que aconteceria na segunda-feira.

Esse tipo de liderança, destrutiva e depreceativa, não tem mais espaço em um ambiente de Governança ESG (Ambiental, Social e Corporativa). Se a sua empresa ainda emprega esses meios opressivos ou constrangedores para fomentar engajamento e motivação, está na hora de repensar seus conceitos.

Que fique o recado.

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