5min de leitura

Conduzir conversas difíceis como arte de domínio próprio

Certamente você, assim como eu e a grande maioria das pessoas, já se deparou com conversas que digamos... nos tiram do sério, não é mesmo?

Isso só acontece porque quase sempre não estamos preparados para entrar em processos que nos demandem compreender o outro. Não é incomum que busquemos não apenas colocar as nossas ideias com toda a razão, mas também queremos a aceitação delas!

Pois é... essas situações que fazem parte do acervo da realidade de muitas pessoas. Em momentos mais tensos ou intensos, precisamos cuidar para não nos perdermos de nós mesmos, perdermos o autocontrole e “entregamos a nossa felicidade em mãos alheias”.

É isso mesmo! Algumas vezes, nós esperamos que o outro satisfaça algumas das nossas necessidades de carinho, atenção, autoafirmação, entre outros, por meio de um “de acordo” com as nossas ideias.

Só que cada ser humano é um mundo à parte. Cada pessoa tem a sua própria história de vida e o tecer dessa história acontece e é lapidado por meio das relações que se acercam do contexto.

É aí que a “conversa difícil começa”. Alguém fala e espera ser inteiramente compreendido. Um outro alguém ouve e junto com isso, ouve também as suas vozes internas se identificando com algumas falas ou repugnando outras em função da sua própria história.

Quando isso acontece, há muitos “EUs” na conversa, e sem querer, inicia-se a confusão. Você já vivenciou isso? Acha que só acontece com você? Infelizmente, isso é muito comum entre os humanos. Por isso, trilhar o caminho de autoconhecimento e autodesenvolvimento são fatores de sucesso na vida pessoal e profissional.

Em nossa época, estamos bastante dispersos de nossas qualidades humanas mais elevadas e não obstante a isso, o egoísmo, o consumismo e o materialismo têm exercido forte influência sobre a alma humana.

E quais as consequências e impactos disso em nosso dia a dia?

Gradativamente vamos perdendo a condição de colocarmo-nos frente a outra pessoa com interesse genuíno sobre ela e sobre tudo o que ela tem a nos dizer.

Estar verdadeiramente com o outro, significa você deixar o seu “EU” em descanso por um pequeno período de tempo e colocar-se inteiramente à disposição do outro, numa escuta real, ativa, empática que permita ao outro “ouvir-se” enquanto fala com você.

Ah! Que bom se pudéssemos imaginar o quão curativo é o ato de escutar! Poderíamos contribuir imensamente na resolução de problemas difíceis, apenas  “emprestando-nos” para a escuta alheia. Isso não é incrível?

Pois bem, esse parece ser um ponto crucial numa conversa difícil, embora pareça... não muito simples! OUVIR!

Mas também há uma outra habilidade preciosa em qualquer comunicação e em especial na conversa difícil! A FALA!

Já ouviram dizer que “as palavras têm poder”? Sim; não apenas o que falamos, mas também a forma como falamos, exerce um grande poder na concepção de novas ideias, imagens e na transformação dos sentimentos de quem nos ouve.

Se ao falar ao outro sobre algo que nos incomoda, pudermos expor o que pensamos sobre determinado fato, sem julgar, explicitando os nossos sentimentos e dores gerados pelo fato, as necessidades que não estão sendo atendidas e as consequência disso na relação com o outro, é bem provável que o outro, ao ouvir genuinamente, possa acolher o que está sendo trazido para a conversa.

E então, nesse processo de escuta e fala autênticas, torna-se possível pensar e modelar novas ações para que problema se resolva e não mais se repita.

Dessa forma, estamos falando que para a condução de uma conversa difícil, é imprescindível um forte “estado de presença”, sem deixar-se ser dominado pela razão, por sentimentalismo ou por vontades pessoais de maneira egoísta.

O “estado de presença” pressupõe um alinhamento entre o nosso pensar, sentir e a nossa vontade. Requer uma condição de calma interior, para que não nos deixemos dominar pelas variáveis externas e “não permitamos que ninguém e nenhuma circunstância roube a nossa paz!”. E então teremos condição de estar integramente com o outro, numa troca saudável de experiências e sentimentos, podendo chegar à construção de novos caminhos.

Nessas condições de escuta genuína, fala clara com relação ao pensar, ao sentir, às próprias necessidades e vontades, é bem possível que uma conversa difícil se torne fluida.

O nosso estado de espírito é capaz de influenciar a condição anímica do outro e deixá-lo mais tenso ou mais leve. Portanto, a escolha sobre a forma para a condução de uma conversa difícil é de cada um e depende de autoconhecimento e domínio próprio. Já experimentou uma conversa difícil de fácil condução? O que ainda o impede de conduzir uma conversa difícil com calma interior? O que poderia ser diferente em você? Boas reflexões!

0 comentários

Deixe seu comentário