O artigo de hoje envolve um assunto polêmico, que é o assédio (sexual, moral ou qualquer possibilidade de perseguição ou aborrecimento sofrido por uma pessoa) que ocorre nas mídias sociais, muito em razão da possibilidade do infrator se beneficiar do anonimato ou da distância, para praticar o que se chama de "stalking", palavra derivada do inglês, que significa perseguir uma pessoa on-line ou no mundo real, de forma virtual ou presencial.
De acordo com as definições mais básicas e superficiais a respeito do tema, o "stalker", ou seja, o assediador, é carente e irracionalmente agressivo pelo fato de haver um desejo geralmente impossível de ser correspondido na mesma intensidade. Seus pensamentos persecutórios passam a dominar a mente, gerando pânico diante da possibilidade de ser frustrado pela pessoa escolhida.
Ademais, um relatório do grupo de responsabilidade corporativa SumOfUs mostra que as plataformas de realidade virtual da Meta (responsável pelo Facebook e pelo Instagram) – Horizon Worlds e Horizon Venues – estão repletas de vários dos mesmos problemas que existem nas plataformas de comunicação mais tradicionais. Entre eles, comentários misóginos, homofóbicos e racistas; um sistema de denúncias que fica aquém das necessidades reais dos usuários; falta de combate a infratores; e nenhuma classificação indicativa, o que pode resultar em crianças sendo expostas a conteúdos impróprios ou a ameaças a sua integridade.
“Com apenas 300 mil usuários, é perturbadora a rapidez com que o Horizon Worlds se tornou um terreno fértil para conteúdo nocivo”, afirma o relatório. “Sem uma ação urgente, isso só tende a piorar. Até que os reguladores responsabilizem a Meta pelos danos causados em ambas plataformas, encontrem medidas para limitar seu controle sobre as indústrias de tecnologia e restrinjam suas práticas de coleta de dados, o metaverso provavelmente se transformará em um ambiente mais sombrio e tóxico”.
Ou seja, as mídias sociais ainda carecem de mecanismos práticos para identificar e punir os responsáveis pelo assédio, bem como a prática de outras infrações, tornando-se um campo fértil para criminosos e molestadores assediarem pessoas vulneráveis, sem qualquer tipo de monitoramento e rastreabilidade.
Se consultar o Google "Como lidar com uma pessoa que te persegue?" a resposta simplista é "Procure ajuda de uma organização voltada a perseguição ou a prevenção de violência. Caso se sinta desconfortável ao falar com amigos, a família ou a polícia, tente ligar para um lugar que lide especificamente com prevenção de violência."
Mas a principal vantagem do infrator, ainda, é a possibilidade de se manter no anonimato. E essa vantagem certamente poderá ser dirimida e atenuada à partir do momento em que houver possibilidade de certificação de autenticidade e legitimidade, que hoje ainda não é usual, mas que já poderia ser aplicada tecnicamente.
Como se determina a autenticidade de uma pessoa nas redes sociais e mídias digitais? A resposta pode estar na tecnologia aplicada no Metaverso, ou seja, o Blockchain. Assim sendo, uma vez que uma determinada pessoa se cadastra em uma plataforma, deverá ser exigida uma série de comprovações técnicas, que determinam a legitimidade e a identidade de um perfil digital. E esta identidade digital poderá ser um NFT.
Mas o que é um NFT?
NFT é a sigla para non-fungible token, ou token não fungível, um ativo criado a partir da tecnologia blockchain que serve como identidade digital de um item, que pode ser, inclusive, os dados pessoais de um indivíduo. O NFT assegura a autenticidade e identidade daquele item ou pessoa, que é único. Ou seja, o NFT garante a posse de um bem único e exclusivo, que nenhuma outra pessoa tem. Ou seja, um NFT pode ser um passaporte de certificação e autenticação de uma pessoa nas plataformas de mídias sociais e, com isso, possibilitar a rastreabilidade e o monitoramento desta pessoa através da internet.
Esta poderia ser uma solução simples, de fácil aplicação, pois já há tecnologia para isso. É necessário identificar e responsabilizar os infratores. Não é possível conviver mais com a sensação de impunidade.
Entretanto, hoje, ainda, a melhor prática é se preservar, resguardar e manter a intimidade. Exigir a privacidade e a aplicação da Lei Geral de Proteção de Dados é um direito Constitucional e que deve ser exercido por todos nós.
Atuar preventivamente e evitar exposições desnecessárias da vida pessoal é um conselho bom e barato. Obedece quem tem juízo.
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