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Altos executivos, potencial extraordinário

Imagine compormos uma mesa de trabalho perfeita para um objetivo pontual muito audacioso. Buscar algo notável, irrecusavelmente grande, com o melhor time possível — leia-se: um time capaz de alcançar o objetivo.

A proposta, creio, é sedutora para a grande maioria dos profissionais. Muita gente diria que quer estar em um projeto assim. Por que isto quase nunca acontece, ou permanece tão raro, em um país de potencial econômico colossal como o Brasil?

Acredito que a resposta esteja, sobretudo, no mau direcionamento dos esforços de inovação corporativa. Não é que os esforços de geração de ideias estejam acontecendo nos pontos errados. Ideias podem vir em benefício de cada pequeno aspecto da nossa produção. Mas creio que não temos olhado com carinho bastante os pontos de máximo potencial: as altas cadeiras das maiores corporações.

O máximo potencial criativo vem da máxima complexidade de informação sobre um objetivo. O ponto focal do qual a inovação mais significativa emerge é sempre aquele ao qual conflui a informação sobre algo, é o hub dos diálogos de conhecimento refinado sobre o assunto. 

A inovação proposta terá também maior legitimidade e aceitação quando publicada, quanto mais este hub estiver aberto aos stakeholders de cada tema. Isto dito, é óbvio que a inovação mais consequente tende a ser impulsionada pela diretoria e a presidência das maiores corporações de um país, pelos máximos agentes públicos, profissionais liberais e pesquisadores de mais alto nível. Vamos continuar falando de inovação com os olhos voltados a um vídeo da IDEO, de 1999, que propõe uma sala de brainstorm para um novo carrinho de supermercado? Há pessoas que, se reunidas para pensar, são capazes de propor um novo mercado.

Inauguro esta coluna sobre inovação com um convite. Que os altos executivos das empresas ligadas ao Procurement Club que quiserem estar junto com outros profissionais de máxima maturidade no ambiente de negócios brasileiro, em reuniões capazes de objetivos audaciosos, venham discutir conosco: 

  1. Como se constituem grupos criativos de impacto histórico (como a Bauhaus, o Instituto Pasteur de Paris ou mesmo o projeto Manhattan); 
  2. As condições atuais para o maior impacto de projetos (leitura crítica da teoria da informação do Media Lab do MIT);
  3. Um caso atual impressionante, brasileiro: do think tank que gestou a reforma tributária hoje em votação no país (o Centro de Cidadania Fiscal, C.CiF);
  4. Quais vocações, neste sentido, podemos encontrar em um grupo que possamos, nós mesmos, reunir?

No case brasileiro, da reforma tributária, um pequeno e muito forte grupo de juristas e economistas conseguiu congregar em uma mesma mesa de discussão bem dirigida, de forma apartidária, o campo político, o melhor expertise interno à Fazenda Pública, o conhecimento de outros juristas e economistas, e as demandas da iniciativa privada, em uma abordagem detalhada, setorial — até obterem um projeto de emenda constitucional estimado promover um aumento do PIB de 12% a 20%, uma vez consolidados os resultados da transição entre modos de tributação, em 15 anos. 

É um grupo pontual de trabalho sério. Uma missão clara e ambiciosa. Frutos esperados: paralelamente ao aumento do PIB, aumento do consumo (bem-estar) das famílias brasileiras, aumento de exportações (pela supressão de impostos atuais) e importações (pelo incremento da atividade interna), redução do peso de gestão e da litigiosidade em questões fiscais para as empresas, e aumento do investimento no país. O meio: a racionalização do imposto sobre o consumo. Quem tem coragem de plantar uma idéia deste porte que comece!

E o que é isto, na raiz, senão um processo refinado de inovação, feito com visada mais ambiciosa do que nos é de costume? Inovação feita em presença da presidência de algumas das maiores empresas do país, com os melhores especialistas técnicos e os principais agentes de uma problemática pública e privada. É inovação grande feita por big thinkers — como alguém me falou — que não tiveram timidez em seu objetivo.

Hoje, há muita convicção sobre como se conduzem processos criativos e de inovação corporativa. Se os resultados no Brasil têm sido principalmente internos a empresas, no ajuste de produtos e serviços, na revisão de processos e comunicação, é porque os big thinkers empresariais têm se visto antes como promotores do trabalho de seus times, que como afluentes de conhecimento, centrais para o enriquecimento das práticas empresariais brasileiras. 

Convido-os, altos executivos, a olhar na direção de seus pares. Olharem uns para os outros como potenciais parceiros de reflexão e atuação sobre mercados e sobre nosso país. Quem sabe, entre os mais audaciosos, olhar também o que se pode realizar junto, que faça diferença mundial? Por que não?

Esta coluna nasce com o convite a uma conversa entre nós (meu contato: andrea@beoutsite.com, meu time: beoutsite.com), para mapeamento de grandes objetivos, prioridades e potenciais convergências entre seus anseios.  

Nas próximas publicações, quero avançar nos fundamentos e relatar o avanço desta aposta nos altos executivos. Nós podemos seguir o exemplo de grandes atores sociais que têm olhar altivo. Fazer a hora, não esperar acontecer. 

Nota pessoal: 

"Há já algumas manifestações de big thinkers na direção de um grupo de trabalho que facilite e acelere o acolhimento da diversidade nas grandes corporações brasileiras. A metodologia está desenhada. O objetivo é macro: reconhecer e divulgar com vigor as melhores práticas de diversidade que reconheceremos com esta metodologia, para que muito mais empresas possam fazer o mesmo, e os números nacionais de distribuição de empregos mudem mais rápido. Que os indicadores econômicos melhorem para as famílias sustentadas por quem compõe a diversidade brasileira. Que os big thinkers desta proposta alcancem influência na gestão de pessoas no país por este projeto, e que sua lição seja boa o bastante para ser levada para fora… Basta fazermos o trabalho mais sério e compreensivo possível. Este é apenas um primeiro anseio, de um grupo de trabalho que já existe e tem outros, alguns outros, objetivos audaciosos."

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