Gostaria de iniciar este artigo com um breve recorte sobre a Teoria do Caos.
“A Teoria do Caos é uma das leis mais importantes do Universo, presente na essência de quase tudo o que nos cerca. A ideia central da teoria do caos é que uma pequenina mudança no início de um evento qualquer pode trazer consequências enormes e absolutamente desconhecidas no futuro. Por isso, tais eventos seriam praticamente imprevisíveis e caóticos.”
A grande ironia desta teoria é que nós humanos por muitos séculos nos dedicamos a tangibilizar coisas. Criamos unidades de medida para tudo, incluindo medidas para nós mesmos, afinal de contas as empresas, a cada dia que passa, se esmeram em modernizar seus modelos de avaliação de desempenho de seus funcionários. Porém existem coisas (talvez quase todas) que não nasceram para serem medidas.
Há muito escutei a icônica frase endereçada aos gestores: “Quem não mede, não gerencia”.
O mundo corporativo segue em sua jornada pela busca da medição e aferição de tudo. Metas, resultados, despesas, receitas, entregas, performance. Se comparando a tudo e a todos, com seu último trimestre, ano, com o mercado, etc.
Modelos matemáticos complexos turbinados pela evolução do Big Data têm ajudado bastante nesta missão, buscando prever com antecedência acontecimentos futuros baseados em dados cada vez mais abundantes e que combinados a uma IA (Inteligência Artificial) direcionam estes gestores a calibrar com precisão cirúrgica suas ações para o futuro e por consequência ajustar seu mecanismo de tomada de decisões.
A questão é que o mundo em essência é caótico e errático. As pessoas são diferentes. Muitas decisões estão sendo tomadas neste instante em que você lê este texto por pessoas no mundo inteiro baseadas em desejos, circunstâncias ou por quaisquer outros motivos alheios a nossa compreensão. Até mesmo o fato de acordarmos de bom ou mau humor influencia em nossas decisões. Hoje não; hoje sim.
Como um bom exemplo temos um dos movimentos mais badalados do momento. O ESG. Existe uma grande discussão colocada sobre abraçar esta agenda por crença ou por propósito ou pela mera dedicação a cumprir metas e entregar resultados. E como já era esperado estamos novamente sendo bombardeados por novos KPIs corporativos, renovados por termos como, Net Zero, Carbon Free, Carbono Neutro, Carbono Negativo, Science-Based Targets Inicative (SBTI) dentre outros. Alguns termos ainda irão surgir, quem sabe até medições em formato de certificações ESGs. Tudo isso para atender nossa necessidade de medir e avaliar.
Gostaria de externar aqui meu certo desconforto pela falta de palavras como sentir, perceber e intuir no vocabulário corporativo. Em um mundo cada dia mais caótico e incerto estas talvez sejam as qualificações que todos deveriam trabalhar mais em seu dia a dia uma vez que nossos clientes, mesmo que sem perceberem ao certo, acabam por nos “medir e avaliar” desta forma. Afinal de contas o que seria a famosa Experiência do Cliente senão uma mistura de intuição, sentimentos e percepções?
Vale então tomar emprestado o ensinamento da grande poetisa Maya Angelou:
“Eu aprendi que as pessoas vão esquecer o que você disse, as pessoas vão esquecer o que você fez, mas as pessoas nunca esquecerão como você as fez sentir.”
Maya Angelou
Nesta hora é que nos fazem falta os poetas, verdadeiros mestres que deveriam ser nossos ''Coaches'' na habilidade de transcender as metas e a lógica.
Tomando mais uma vez emprestado os versos de um grande poeta, desta vez do nosso brasileiríssimo Mario Quintana:
“Dona Lógica usa coque e óculos, como aquelas velhas professoras que não se fabricam mais e tão chatas que, no meio da aula, sempre alguém lhes pedia “para ir lá fora”. Sim, Dona Lógica, a alma também precisa de um pouco de ar.”
Mario Quintana
Sim, precisamos de um pouco de ar. Para sermos enfim apenas humanos.
E na esperança de termos líderes com mais habilidades e porque não mais humanos, finalizo por aqui com uma frase do próprio autor.
“Se quiser ver mais longe, simplesmente feche os olhos e abra o coração”.
André Gurgel
P(oetry) Club
Think Tank of Procurement
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