Esse mês fui abordada por uma gigante do mundo do desenvolvimento de pessoas. Uma empresa com sede no Japão, expandindo para os Estados Unidos. Me ofereceram uma cadeira executiva.
Apesar de ter ficado lisonjeada e muito feliz por ser a escolha deles, me peguei pensando "porque eu?".
Não tenho problemas de auto estima. Pelo contrário, sou bastante segura daquilo que sou e do que não sou. Do que posso “entregar” e daquilo que tenho que me esforçar muito para fazer. Ainda assim, depois da ligação me peguei por horas pensando a respeito. Conclui que, apesar de toda minha capacidade técnica de realizar o trabalho, todos os meus hard skills e anos de experiência, foram três dos meus soft skills que me fizeram ser a pessoa mais desejada por eles.
Compartilho com vocês minhas conclusões.
Primeito soft skill: Empatia
Muito se fala sobre empatia. A capacidade de se colocar no lugar dos outros, de entender as dores das outras pessoas. Pouco se fala como “exercitar” a empatia.
Não é fácil “sentir o que x outrx sente”. Na minha opinião é mais fácil "não fazer x outrx sentir" o que você não gostaria que te fizessem sentir. Isso é ter empatia. Cumprir promessas, ser capaz de avisar se não for cumprir. Ser pontual e respeitar o tempo dx outrx. Ter a habilidade de perceber o esforço que outro alguém fez por você e retribuir com pequenos atos de gentileza. Isso é o exercício diário da empatia e, durante minha auto análise, conclui que parte do motivo por ter sido considerada, é esse soft skill. Sempre cumprindo o que falo, respeitando o tempo e espaço alheio.
Segundo soft skill: Comunicação Assertiva
Comunicar-se não é o ato de abrir a boca e falar. Comunicar-se tem muito mais a ver com ouvir e ser assertivx em nossas respostas. Comunicar-se bem e de forma assertiva tem a ver com modelar sua mensagem a quem esta recebendo e, então, abrir a boca e dar sua opinião.
Por toda minha carreira ouvi que xs melhores comunicadorxs são aquelxs que sabem entreter, que são aquelxs "contadorxs de historias". Concordo. Esses são muito bons, mas não em todas as situações.
Quando falamos demais, ouvimos de menos e quando ouvimos de menos, não somos capazes de nos conectarmos. Se não somos capazes de nos conectarmos não respondemos de forma assertiva. E assertividade tem a ver com falar o que x outrx quer ouvir. E falar o que x outrx quer ouvir não é concordar, mas ser capaz de dar uma resposta tão alinhada ao que a outra pessoa disse, que faz com que elx imediatamente caia de amores por você.
Nas minhas conclusões, foi isso o que eu fiz. Ouvi, entendi, absorvi e fui capaz de ser assertiva em todas as interações com aquelas pessoas.
Terceiro Soft Skill: Comunicação Intercultural
Entender sobre a cultura alheia é uma arma letal. Em adição a comunicação assertiva, aprender sobre outras culturas te permite ser resiliente e adaptar-se aos mais diversos estilos e pessoas.
Como Brasileira, sei o quanto minha cultura é diferente da Japonesa. Desde o princípio, nāo ignorei o fato. Aprendi sobre o jeito dos japoneses negociarem, criarem relações, comunicarem-se. Prestei atençāo a cada detalhe do que era importante para eles e, mesmo sabendo que eu jamais seria exatamente como eles, fui reconhecida como alguém que nāo queria impor seus valores sobre xs outrxs, pelo contrário, fui reconhecida por ser alguém que tem o interesse genuíno de entender como outrxs pensam e de respeitar esse jeito diferente do meu.
Eu nāo aceitei a oferta de trabalho. Todavia, reforcei dentro de mim a importância de usar skills que deveriam ser básicos de todos nós seres humanos e que, certamente, nos rendem trabalhos, amizades e conexões que ultrapassam a barreira do tempo e do lugar.
Fiquei eternamente lisonjeada por ver que outrxs reconhecem meus super poderes. Meus soft skills sāo meus super poderes. Reforcei o entendimento de que tenho que continuar a ser assim. Afinal, como disse Antoine de Saint-Exupéry: "você se torna eternamente responsável por aquilo que cativas". Ainda bem.
Deixe seu comentário