Será que você tem viés inconsciente? A resposta é sim! Todas as pessoas têm vieses inconscientes e não temos como negá-los.
Por Cris Kerr
Os vieses não são intencionais, eles são baseados nos preconceitos, estereótipos e crenças culturais, no entanto eles formam uma barreira invisível e muito poderosa que dificulta o avanço da diversidade e da inclusão nas corporações.
Temos uma imensa dificuldade em perceber nossos próprios vieses inconscientes, é o que chamamos de ponto cego (blind spot). É mais fácil identificarmos quando alguém está sendo preconceituoso ou estereotipando outra pessoa, do que percebermos a nós mesmos.
Como nosso cérebro tem que lidar com milhares de informações por segundo, para que consiga dar conta, ele procura por padrões que considera mais importantes e cria atalhos para reconhecê-los, como um piloto automático.
No entanto, esses atalhos têm uma desvantagem, eles são tendenciosos, pois são adquiridos ao longo da nossa vida, pelos nossos aprendizados e têm uma forte influência cultural. Esta vivência forma um poderoso sistema de estereótipos e crenças, que ficam gravados em nosso inconsciente e afetam as nossas atitudes e comportamentos. Por isso, preferimos as pessoas que pertencem ao mesmo grupo que o nosso, e temos uma forte tendência a nos afastar das pessoas que são diferentes.
Um dos vieses que mais impactam as corporações é o viés de afinidade, que é uma forte tendência que temos em selecionar, promover e avaliar melhor as pessoas que se parecem conosco e por quem sentimos mais afinidade. Esta afinidade pode ser: o gênero, a raça, a nacionalidade, a pessoa ter estudado na mesma faculdade ou ter o mesmo hobby que você, morar ou ser da sua cidade natal, ser da mesma religião, entre outros. Quando sentimos afinidade acabamos favorecendo a pessoa, sem que tenhamos esta percepção de forma consciente.
A interseccionalidade, que é quando a pessoa se enquadra ao mesmo tempo em mais de uma categoria estereotipada (raça, etnia, gênero, orientação sexual, identidade de gênero, deficiência, classe social), acentua ainda mais o viés inconsciente, levando a desigualdade nas corporações.
Como diz uma das maiores especialistas no tema, Mahzarin Banaji:
“Nós preferimos acreditar que somos pessoas sem preconceitos, mas as pesquisas mostram o contrário. Esta é uma constatação desconfortável para a maioria de nós. O primeiro passo para derrotar nossos preconceitos inconscientes é ser honesto conosco sobre como realmente nos sentimos em relação aos outros grupos. Ter um viés não é o fim do mundo, a única vergonha é se você não fizer nenhum esforço para melhorar.”
O primeiro passo é criar um espaço de diálogo seguro e construtivo na sua corporação para a tomada de consciência sobre os vieses inconscientes. É fator chave na desconstrução dos preconceitos arraigados, tratar o tema com empatia para que as pessoas não entrem no modo defensivo.
Ampliar a consciência, combater o preconceito e multiplicar o conhecimento contribui não só para empresas mais justas e sustentáveis, como para um mundo que respeita e valoriza cada vez mais as diferenças.
Para aprofundar seu conhecimento escrevi o livro:
“Viés Inconsciente – Como identificar nossos vieses inconscientes e abrir caminho para a diversidade e a inclusão nas empresas.”
Sobre Cris Kerr
Cristina Kerr fundou a CKZ Diversidade há 13 anos, pois suas grandes paixões são: transformar e fazer a diferença no mundo. Com esta paixão, atua como consultora especialista em: diversidade, inclusão, viés inconsciente, liderança transformadora, cultura e liderança inclusiva e equidade de gênero.
É autora do livro “Viés Inconsciente - Como identificar nossos vieses inconscientes e abrir caminho para a diversidade e a inclusão nas empresas”, professora de Diversidade na Fundação Dom Cabral e colunista de D&I da Revista Você S.A.
Formação Acadêmica
- Publicitária pela FAAP
- Pós-graduada em Neurociência e Comportamentos pela PUC-RS
- MBA na FGV em Gestão Estratégica e Econômica de Negócios
- Pós-MBA Advanced Boardroom Program for Women da Saint Paul Escola de Negócios
- Mestra em Sustentabilidade pela FGV
Nesses 13 anos, atendeu mais de 150 clientes dos mais diversos setores e indústrias e deu treinamento e palestras para mais de 50 mil pessoas. Em 2010, idealizou o primeiro Fórum no Brasil a tratar do tema Diversidade: o Fórum Mulheres em Destaque, que em 2021 se transformou no 10º SUPER FÓRUM Diversidade & Inclusão. Em paralelo a sua vida acadêmica e profissional, cria a sua filha Beatriz, que tem 17 anos.
Contatos
Site: www.ckzdiversidade.com.br
E-mail: criskerr@ckzdiversidade.com.br
LinkedIn: www.linkedin.com/in/cristina-kerr
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