Desde 2020 fomos introduzidos a uma realidade virtual, na época pouco convencional, onde conectamos nossos computadores em "home office" para trabalhar. Hoje, já se discute o trabalho híbrido, ou seja, parte do tempo nas instalações físicas da empresa, e parte onde o empregado estiver. Pode ser em casa, no bar, em um cowork ou até mesmo na praia.
Várias tecnologias foram desenvolvidas para a gestão e colaboração de profissionais que trabalhavam remotamente. Aplicações como Zoom, Teams e Google Meet se popularizaram, bem como infraestruturas de segurança, como as Virtual Private Networks (VPNs) se tornaram comuns e os serviços "cloud" finalmente decolaram.
O trabalho se adaptou aos novos tempos. Em alguns casos, a performance da equipe até aumentou, com menos tempo de locomoção até a sede da empresa e a necessidade de ser pontual nas reuniões.
Por outro lado, apesar dos inúmeros benefícios tecnológicos e de produtividade, acentuou-se a impessoalidade e o confinamento, causando grande impacto no psicológico das pessoas. O contato físico diminuiu e a troca de experiências, o coleguismo e até mesmo um bom aperto de mão, para celebrar um bom dia ou para se fechar um negócio, ficou em segundo plano.
E este distanciamento humano fica mais agravado no momento de uma demissão. Como amparar um profissional que está sendo demitido?
Em recente matéria publicada pela BBC Brasil - 'Fui demitida com 35 colegas por vídeo': as demissões em massa por startups brasileiras - BBC News Brasil (ampproject.org) - é possível identificar demissões em massa, ocorridas principalmente em startups, com reflexos negativos principalmente no aspecto humano e sentimental.
Uma startup, segundo a Wikipédia, é um termo da língua inglesa sem tradução oficial para a língua portuguesa, que representa uma "empresa emergente" e tem como objetivo principal desenvolver ou aprimorar um modelo de negócio, preferencialmente escalável, disruptivo e repetível.

De acordo com a matéria da BBC, algumas destas demissões em massa, que foram realizadas de maneira virtual, foram consideradas desrespeitosas, principalmente pela forma em que foram conduzidas.
Depoimentos confirmaram que a sensação do descarte foi humilhante para diversos profissionais. Não pelo fato da demissão em si: mas pela forma como foram demitidos.
Apesar da legislação trabalhista considerar a demissão individual e a coletiva como equivalentes, sendo dispensada autorização prévia por parte do sindicato profissional, a forma impessoal que estas demissões estão acontecendo, via vídeo conferência, é um alerta para que as empresas pensem em adotar atitudes e procedimentos mais adequados aos princípios da Governança Ambiental, Social e Corporativa (ESG - Environment, Social e Governance, em inglês).
Não podemos esquecer que existe a possibilidade do empregado ir à Justiça por situações abusivas no momento da demissão. Excesso ou abuso do exercício do poder pode configurar assédio moral e ser passível de indenização.
Assim sendo, atenuar os efeitos da demissão ao empregado neste momento de dor, quando ele está se sentido descartado, é ajudar o profissional, bem como o ser humano, a manter a sua auto estima e o respeito. Estes valores devem ser levados em conta não só para blindar o empregado, mas também para manter a reputação da empresa.
Por fim, a conclusão é que se faz necessário montar um plano de demissão humanizada, mesmo que seja de forma virtual. Trata-se de uma questão de 'Responsabilidade emocional'. Um dia, você poderá estar do outro lado.
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