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Afinal, o que mudou?

Desde o final do ano passado me propus a conversar com 2 profissionais diferentes a cada semana. O propósito desses encontros é ouvir como estas pessoas enxergam o ambiente das organizações atualmente, e buscar informações sobre o que está mudando com os impactos gerados pelas mudanças de hábitos e novo cenário econômico que vem trazendo tantos desafios para as empresas. 

Um indicador alarmante foi divulgado nos últimos dias, e reflete muito sobre este tema: 30% das demissões dos últimos 12 meses foi voluntária. Mesmo considerando áreas profissionais com alta demanda como TI, ainda assim, muita gente abriu mão de seus empregos para empreender ou seguir para novas posições.

Acredito que este movimento vai além da questão do trabalho remoto, mas tem a ver - também - com pontos mais profundos relacionados com a identificação e equilíbrio de volume de trabalho. Quando falo de volume de trabalho, vejo ainda um grande risco de potencializar a dificuldade de organização de tempo de alguns profissionais, e a dificuldade de haver uma boa leitura disso por parte de gestores.  Claro que existe aumento de carga em diversos casos, mas não podemos deixar de lado que é necessário ter muita disciplina para exercer plenamente nossas atividades estando fora do ambiente corporativo.

É valido ainda lembrar que nos últimos 2/3 anos um grande número de jovens profissionais ingressou no mercado de trabalho diretamente no modelo 100% remoto. Estes indivíduos desconhecem o modelo anterior e, mais que isso, em grande parte acreditam que existem vantagens em trabalhar de casa, ou ainda, não tem a mesma conexão com seus empregadores como se observa em gerações anteriores.

Em resumo: as relações de trabalho mudaram, mas será que estamos preparados para este novo momento?

Como já escrevi em artigos anteriores, não creio que exista certo ou errado nesta discussão, mas sim, que existem pessoas com diferentes expectativas no que diz respeito a trabalho e como exercê-lo. Neste sentido, como gestora, vejo que o esforço do entendimento na dinâmica das equipes deve aumentar. Mais do que nunca, lideranças serão exigidas a ter uma leitura muito clara do clima de seus times para saber calibrar a dose de volume, ou mesmo encontrar a pessoa certa para cada desafio.

A possibilidade de mudar pessoas de cadeira eventualmente pode, também, ajudar a manter não só o engajamento, mas ainda ajudar profissionais a enxergarem sua capacidade de encarar situações novas com sucesso. Lembrando que SUCESSO não significa acertar 100% do caminho, mas sim, chegar ao resultado apesar daquilo que pode ter dado errado ao longo da jornada.

Algumas pessoas preferem manter-se na zona de conforto por medo de errar, seja por auto-cobrança ou mesmo por ambiente da empresa. Precisamos urgentemente mostrar a essas pessoas que não há problema em errar, mais ainda, que é importante saber levantar a mão e pedir ajuda quando necessário. Desta forma, naturalmente, o impacto de incorreções passa a ser mitigado pelo ciclo virtuoso do aprendizado.

Enfim, não podemos achar que saímos da pandemia da mesma forma e, quanto antes percebermos isso, melhor será para manter nossos times interessados e, principalmente, comprometidos na colheita de um relacionamento de mais longo prazo com as organizações.

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